As Yabás – Saber e Cura são um espaço que nasce do encontro entre espiritualidade, ancestralidade e cuidado. Inspirado no matriarcado das comunidades tradicionais de terreiro, o projeto se organiza a partir da matrigestão: uma forma de condução baseada no saber coletivo das mulheres, na partilha e na sustentação da vida. A matrigestão se opõe à lógica hierárquica e centralizada de gestão, pois se ancora na circularidade, na corresponsabilidade e na centralidade do cuidado como valor político e espiritual.
Ao longo de 2025, esse princípio se expressou em atividades que tocaram diretamente a vida de centenas de pessoas. Os Círculos de Saberes e Resistência, encontros temáticos inspirados nas Yabás, reuniram mais de 85 mulheres inscritas. Mas o impacto vai além: mulheres trouxeram suas filhas, filhos e familiares, transformando cada círculo em uma experiência intergeracional. No Círculo de Oyá, que inaugura a Casa das Yabás, por exemplo, houve 12 inscritas, mas 22 pessoas presentes. Assim, embora o número oficial de inscritas ao longo do ano seja 85, a presença física nos encontros se aproximou de 200 pessoas.

Além das rodas coletivas, realizamos 32 atendimentos individuais de tarô e massagem, práticas que unem corpo, espiritualidade e autoconhecimento. Produzimos e distribuímos também 40 agendas Yabás – Saber e Cura e 15 exemplares da Revistinha Ibejada de Oyá e Xangô, ampliando a circulação dos nossos saberes. Ao todo, o impacto direto contabilizado em 2025 alcançou 172 pessoas, número que cresce ainda mais quando consideramos acompanhantes, crianças e familiares.
Esse trabalho foi sustentado por uma equipe de 8 pessoas, reafirmando a matrigestão como prática coletiva, espiritual e política.
Cuidado como política, ancestralidade como tecnologia
A experiência das Yabás se ancora em conceitos que dialogam com a produção acadêmica e com os saberes tradicionais. O cuidado não é visto como prática secundária, mas como estratégia de resistência e de reinvenção social. Autoras como bell hooks lembram que o amor e o cuidado são atos políticos capazes de sustentar comunidades oprimidas. Do mesmo modo, Djamila Ribeiro (2019) aponta a maternagem e o legado das Yabás como referências para compreender a potência do feminino negro na sustentação da vida.

Outro conceito central é o de ancestralidade como tecnologia de resistência. Para Beatriz Nascimento e Nego Bispo, a terra, o território e as práticas coletivas de cultivo e partilha são tecnologias criadas por povos tradicionais para sobreviver e resistir ao colonialismo. No mesmo sentido, Ana Primavesi nos lembra que o solo vivo é organismo dinâmico e pulsante, que precisa de cuidado para ser fértil — uma metáfora que atravessa o próprio nome do nosso grupo de estudos, Solo Vivo.
A matrigestão articula todos esses referenciais. Em vez de métricas de eficiência ou produtividade (como no modelo empresarial), trabalhamos com valores de pertencimento, solidariedade e espiritualidade, onde a gestão se confunde com o cuidado e a condução se dá por meio do vínculo afetivo e ancestral.
Presença digital e combate à intolerância
Além do impacto presencial, as Yabás se afirmam como voz política e cultural no espaço digital. Desde 21 de janeiro, data nacional de combate à intolerância religiosa, temos utilizado nossas redes sociais @agnes_karolineoya, @yabassabercura e o site oficial para promover debates, denunciar violências contra comunidades tradicionais de terreiro e divulgar nossas atividades.
Esse trabalho de comunicação ampliou o alcance do projeto para além das participantes presenciais. Estimamos que, em 2025, o impacto indireto tenha alcançado entre 600 e 800 pessoas, somando interações digitais, reverberações nas famílias das participantes e eco em movimentos sociais.
Síntese do impacto em 2025
- 85 mulheres inscritas nos círculos, com presença real próxima a 200 pessoas;
- 32 atendimentos individuais;
- 40 agendas e 15 revistinhas distribuídas;
- 8 pessoas na equipe;
- Impacto direto: 172 pessoas;
- Impacto indireto estimado: 600 a 800 pessoas;
- Impacto total: entre 770 e 970 pessoas.
Conclusão
As Yabás – Saber e Cura demonstram que o cuidado é um ato político, a ancestralidade é uma tecnologia de futuro e a matrigestão é um caminho de resistência. Nosso impacto em 2025 foi medido em números, mas também em memórias, vínculos e práticas que atravessam gerações.

Cada círculo, cada atendimento, cada material produzido e cada postagem em nossas redes sociais é uma semente que brota em diferentes territórios. O que oferecemos não é apenas cura individual, mas a construção de um tecido comunitário que resiste, floresce e cria futuros ancestrais.
Referências para diálogo
Ribeiro, Djamila. O que é lugar de fala? (2019).
hooks, bell. Tudo sobre o amor (2000).
Nascimento, Beatriz. O negro e o espaço: uma perspectiva histórica (1989).
Bispo, Antônio (Nego Bispo). A terra dá, a terra quer (2019).
Primavesi, Ana. Manejo Ecológico do Solo (2002).